Junho é conhecido pelas campanhas de conscientização sobre a doação de sangue. Mas além de lembrar a importância desse gesto que salva vidas, o mês também nos convida a olhar para algo curioso e fascinante: a forma como a música afeta o nosso corpo — inclusive o sangue que circula dentro dele.
Pode parecer poético dizer que “a música corre nas veias”, mas a ciência mostra que isso acontece de maneira bastante literal.
Pesquisas nas áreas de neurociência, musicoterapia e fisiologia vêm demonstrando que diferentes tipos de música provocam respostas físicas reais no organismo. Ritmo, intensidade, frequência sonora e até as emoções associadas a determinadas canções podem alterar batimentos cardíacos, pressão arterial, respiração e fluxo sanguíneo.
Um estudo conduzido pela Universidade de Pavia, na Itália, e publicado na revista Circulation, mostrou que músicas mais agitadas aceleram a circulação sanguínea e aumentam a frequência cardíaca, enquanto melodias mais suaves promovem relaxamento vascular e redução da pressão arterial. Segundo os pesquisadores, o corpo reage à música quase como reage às emoções: preparando-se para ação ou repouso.
E cada pessoa responde de forma única.
Uma mesma música pode gerar conforto em alguém e ansiedade em outra pessoa. Isso acontece porque o cérebro associa sons às experiências, memórias e emoções vividas ao longo da vida. É por isso que certas canções conseguem arrepiar, emocionar ou até provocar respostas físicas imediatas, como aceleração do coração ou sensação de calma.
Na musicoterapia, essas respostas não são vistas apenas como curiosidade científica — elas são ferramentas terapêuticas importantes. Através da música, é possível auxiliar na regulação emocional, reduzir níveis de estresse e favorecer estados fisiológicos mais equilibrados.
A fonoaudiologia também se conecta diretamente com esse processo. A respiração, a voz e o ritmo da fala estão profundamente ligados ao funcionamento do corpo. Técnicas vocais e exercícios respiratórios podem ajudar a modular tensão muscular, melhorar oxigenação e promover maior consciência corporal.
Cantar, inclusive, é uma atividade muito mais completa do que parece. Estudos mostram que o canto pode estimular circulação, melhorar a capacidade respiratória e favorecer a liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como dopamina e endorfina.
No fim das contas, talvez a música seja uma das poucas linguagens capazes de atravessar corpo, mente e emoção ao mesmo tempo.
E em um mês que fala tanto sobre sangue, talvez valha lembrar: aquilo que ouvimos também circula dentro de nós.
Referências científicas
- Bernardi, L. et al. (2006). Dynamic interactions between musical, cardiovascular, and cerebral rhythms in humans. Circulation.
https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIRCULATIONAHA.105.537878 - Chanda, M. L.; Levitin, D. J. (2013). The neurochemistry of music. Trends in Cognitive Sciences.
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1364661313000815 - Thoma, M. V. et al. (2013). The effect of music on the human stress response. PLOS ONE.
https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0070156

Entre em contato conosco!
Rua Clementine Brenne, 418.
(11)3742-7299
(11)96952-2461
Instagram: @estimulasom @clinicamorumbi
Site: www.clinicamorumbi.com.br
Estacionamento Gratuito


