A constipação intestinal é um problema muito comum e pode aparecer em diferentes fases da vida, sendo mais frequente em mulheres, crianças e idosos. Ao contrário do que muita gente imagina, não existe um número de evacuações que determine se o intestino está funcionando bem. A frequência pode variar bastante de uma pessoa para outra. Mais importante do que contar quantas vezes vai ao banheiro é observar como essa evacuação acontece.
Fezes muito duras ou ressecadas, necessidade de fazer força excessiva, sensação de evacuação incompleta e dificuldade para eliminar as fezes são alguns dos sinais característicos da constipação. O quadro também pode ser acompanhado de estufamento, gases, desconforto e distensão abdominal. Por isso, alguém pode até evacuar com certa frequência e, ainda assim, ter um intestino que não está funcionando adequadamente.
Na maioria das vezes, a rotina tem grande influência sobre o funcionamento intestinal. Uma alimentação com pouca fibra, baixo consumo de líquidos e o sedentarismo estão entre os fatores que podem favorecer a constipação. Uma alimentação baseada em poucos vegetais, frutas, legumes, feijões e cereais integrais oferece menos fibras ao intestino, que são importantes para aumentar o volume e melhorar a consistência das fezes.
Mas existe outro hábito muito comum que merece atenção: ignorar a vontade de evacuar. Quando o organismo sinaliza que é hora de ir ao banheiro, adiar repetidamente esse momento pode contribuir para a alteração do hábito intestinal. Viagens e mudanças de rotina também podem interferir no funcionamento do intestino. Não é incomum que uma pessoa evacue normalmente em casa e perceba mudanças quando está fora de sua rotina.
Estresse, ansiedade e alterações emocionais também podem modificar o funcionamento do sistema digestivo. O intestino possui uma grande rede de neurônios e mantém uma comunicação constante com o cérebro, o que ajuda a explicar por que períodos de maior tensão podem causar mudanças no funcionamento intestinal.
Também é importante lembrar que alguns medicamentos podem prender o intestino, assim como determinadas alterações metabólicas, neurológicas e doenças do trato gastrointestinal. Em alguns casos, a constipação pode estar relacionada a problemas na região do reto e do cólon.
Por isso, cuidar da constipação não significa simplesmente aumentar o consumo de fibras, até porque, algumas pessoas podem perceber aumento de gases quando aumentam rapidamente a quantidade de fibras, especialmente quando utilizam grandes quantidades de farelos. O intestino precisa de um conjunto de condições para funcionar bem: alimentação adequada, ingestão suficiente de líquidos, movimento corporal, respeito à vontade de evacuar e uma rotina que favoreça o funcionamento intestinal.
Mudanças persistentes no funcionamento intestinal merecem atenção. Sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, dor abdominal importante, alteração recente e significativa do hábito intestinal ou mudanças marcantes no formato das fezes são sinais que não devem ser simplesmente atribuídos à constipação. Nessas situações, é importante procurar avaliação profissional para investigar a causa.
É importante entender o que é habitual para o seu próprio organismo e perceber quando esse padrão muda. Constipação é comum, mas não precisa ser normalizada quando se torna persistente ou interfere na qualidade de vida.
beatriz pereira elias
nutricionista – CRN – 3 89188

