Presunto, mortadela, salame, salsicha, linguiça, bacon, peito de peru e outros embutidos fazem parte da rotina de muitos porque são acessíveis, têm boa aceitação e resolvem a necessidade de preparar uma refeição rápida.
Apesar da praticidade, esse grupo de alimentos merece atenção. As carnes processadas foram classificadas pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, como carcinogênicas para humanos. Isso significa que existe evidência científica suficiente associando o consumo frequente desses alimentos ao aumento do risco de câncer, especialmente o câncer de intestino e colorretal.
Essa classificação não quer dizer que comer uma fatia de presunto ou um pedaço de linguiça ocasionalmente vá causar câncer ou que todos os alimentos e substâncias dentro dessa categoria tenham o mesmo impacto no organismo. O que a classificação mostra é que há evidência consistente de risco quando o consumo se torna frequente e faz parte da rotina alimentar.
O problema desses alimentos está principalmente no processamento. Para aumentar a durabilidade, melhorar a cor, intensificar o sabor e facilitar a conservação, eles passam por processos como salga, cura, defumação e adição de conservantes, como nitritos e nitratos. Durante esse processo, podem ser formadas substâncias associadas a efeitos negativos para a saúde intestinal. Além disso, esses produtos costumam ter mais sódio e aditivos.
Muitas pessoas escolhem presunto, mortadela ou salsicha porque cabem no orçamento, duram mais tempo na geladeira e não exigem preparo. Por isso, ponto principal não é transformar esses alimentos em vilões absolutos, mas observar a frequência. Quando embutidos aparecem todos os dias no café da manhã, no lanche ou como principal fonte de proteína da refeição, eles acabam ocupando o espaço de opções mais nutritivas e menos processadas.
Algumas trocas simples podem fazer diferença: ovos cozidos, mexidos ou em omelete, frango desfiado temperado, atum ou sardinha, carne desfiada, patês caseiros feitos com frango, ricota, iogurte natural ou grão-de-bico, queijos em pequenas quantidades, feijão, lentilha e outras leguminosas ao longo do dia. São opções que ajudam a manter a praticidade, mas com melhor qualidade nutricional.
O objetivo não é complicar a alimentação, mas reduzir a dependência dos ultraprocessados. Uma rotina alimentar mais rica em alimentos naturais ajuda a proteger o intestino, melhora a qualidade da dieta e contribui para prevenção de doenças.

